João Airas de Santiago


Par Deus, amigo, nom sei eu que é,
mais muit'há já que vos vejo partir
de trobar por mi e de me servir,
mais ũa destas é, per bõa fé:
5       ou é per mi, que vos nom faço bem,
       ou é sinal de morte que vos vem.
  
Mui gram temp'há, e tenho que é mal,
que vos nom já cantar fazer,
nem loar-mi, nem meu bom parecer,
10mais ũa destas é, u nom ja[z] al:
       ou é per mi, que vos nom faço bem,
       ou é sinal de morte que vos vem.
  
Já m'eu do tempo acordar nom sei
que vos oísse fazer um cantar,
15como soíades, por me loar,
mais ũa destas é que vos direi:
       ou é per mi, que vos nom faço bem,
       ou é sinal de morte que vos vem.
  
Se é per mi, que vos nom faço bem,
 20dizede-mi-o, e já quê farei en.



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Nota geral:

A donzela estranha o facto de o seu amigo há muito não fazer um cantar em seu louvor. Será que é porque ela não lhe concede os seus favores ou será que ele está mesmo em vias de morrer? Na finda acrescenta que, se for pela primeira razão, ela poderá tentar resolver o assunto.
Não é impossível pressupor que esta cantiga terá sido composta por João Airas depois de um período de paragem na sua atividade trovadoresca.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1017, V 607

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1017

Cancioneiro da Vaticana - V 607


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas